IRITUIA, MAGIA E SEDUÇÃO
– JULHO / 2008 – publicado no INFORMATIVO POPULAR.
Muito antes de surgirem as primeiras ocas indígenas, às
margens do rio Irituia, habitava aquelas paragens uma legião de seres
encantados que protegiam a fauna e a flora, primeiro, depois também adotaram os
primevos habitantes, aporfilharam seus descendentes e ainda hoje tutelam os que
ali nasceram, fixaram-se, e ou, visitam o
pequeno burgo tuiaense. Eu mesmo, que nascido fui, sob os olhares dessas
entidades lendárias, saboreei, junto com o leite materno, seus benéficos
eflúvios; cresci sob a proteção de São Benedito e Nossa Senhora da Piedade;
embalei-me sob as tiradas de bumba meu boi do Paco
Chico; dancei o carimbó do Américo Gago; imitei o bailado do Pixista, Tia
Bibiana, Antonio Cachorro e outros tradicionais passistas do samba/carimbó;
amorenei-me nas águas pretas do rio, naveguei e nadei nos banzeiros dos barcos
e canoas a motor.
Este ano, (2008), os que tivemos o privilegio de participar do
XXIII Fecuiri, vivenciamos momentos de genuína magia e nos rendemos ao poder de
sedução da cultura popular. Duas décadas de exaustivo, mas prazeroso exercício
cultural, possibilitaram o aprimoramento que beira a excelência no trato das
manifestações tipicamente papa pão. Apenas e tão somente as ricas
apresentações locais preencheriam o ano todo, sem repetição, com lindas
canções, belos artesanatos e devoções, todavia, em apenas quatro noites desfilaram,
ante olhos e corações extasiados bois bumbás dos Mestres Valeriano e Aerolino; o legitimo gingado do carimbó dos grupos Vaticano
e Lagoanos; a piedosa contrição da folia e
ladainha de São Benedito, entoada pelo Bem-Bem e companheiros; a exuberância
coreográfica e sensualidade dos grupos de dança; a magistral interpretação de
Chiquinho do Cavaco; a harmonia da dupla Pingo e Raí; a criatividade dos trajes e a beleza das
candidatas a rainha do evento; a sagrada performance das bailarinas e pajens do
Tuia-Poranga e Meu Redil, que, qual ninfas e ninfeus velam pela perpetuidade da
tradição, traduzem, de maneira autentica e contagiante, o telúrico da terra de
Conceição Malheiros, refletem o tradicional e o moderno da gente irituiense e
emitem, de “Irituia, para o Pará, de Irituia para o Brasil, de Irituia para o
mundo” a majestade ‘airi-tuiana’ (arvore da vida).
O Fecuiri de 2013 retoma a proposta ao trazer para o palco a riqueza cultural do município, já no dia 07 de julho, com o olhar sobre Irituia e as três noites do festi, propriamente dito, com apresentações de trabalhos já consagrados dentro e fora da cidade, a genuína arte musical paraense com Arraial do Pavulagem e Nilson Chaves, nos dia 19 a 21. Vale de demais a pena participar do evento que revela a alma tuiaense, que ainda hoje é protegida pelos encantados do rio Irituia e desfrutar do caloroso abraço da gente de nossa terra.